terça-feira, 31 de agosto de 2010

EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL


Assim como a EJA, a Educação Profissional no Brasil possui suas particularidades e especificidades que fazem com que esta modalidade de Educação necessite de uma maneira muito singular para sua condução e seu desenvolvimento. Tratar a Educação Profissional para além da perspectiva oficial e hegemônica é falar necessariamente dos atores sociais historicamente envolvidos em sua trajetória, os “desprovidos de riquezas”. Para isto é necessário retroceder a umas questões centrais nesta discussão: Nossa Educação Básica visa formar o cidadão ou a inserção do homem no mercado de trabalho?
Fazemos referências ao questionamento acima, pois entendemos que esta dualidade permeou a condução da trajetória tanto da Educação Profissional como da Educação básica. Até final do séc. XX cristalizou-se a idéia de que a Educação Profissional era destinada aos filhos das classes sociais menos favorecidas enquanto que o ensino Superior seria freqüentado pelos filhos das elites dirigentes deste país.
Este dualismo da Educação brasileira vai sofrer a primeira alteração no contexto do “milagre econômico” (1968 a 1973) quando a formação profissional passa a ocupar um papel fundamental no campo das mediações das práticas educativas no sentido de atender as exigências do sistema capitalista. É neste momento que se regulamenta a Profissão de técnico de Nível Médio.
Na verdade, o momento acima citado foi uma resposta que o Estado deu à sociedade uma vez que os filhos das classes sociais “desprovidas de sorte” começaram a pressionar para obter seu acesso no ensino superior. Ou seja, o Estado respondeu à mobilização de personagens sociais que atuam para além das dimensões escolares.
Essa ambigüidade da Educação brasileira que iniciou lá no período Colonial e sobreviveu até o final do séc. XX iniciou uma tentativa de mudança de enfoque da Educação Profissional quando surgiu a atual LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) que buscava agora não só a preparação do educando para o mercado de trabalho, mas também a formação do homem cidadão capaz de compreender a realidade social que o rodeia.
Esse novo enfoque para a Educação Profissional produzido pela atual LDB torna o educando não um mero executador de tarefas rotineiras e burocráticas, mas sim um conhecedor do processo produtivo e social o qual está inserido. Ele não vai apenas aprender a fazer, mas vai saber por que está fazendo dessa forma e não de outra.
Portanto, ao fazer o resgate da trajetória da Educação Profissional no Brasil não podemos deixar de mencionar a participação de atores sociais cujo campo de atuação se dá fora dos espaços formais de constituição das idéias dominantes. A participação desses personagens sejam eles sindicatos, associações comunitárias, ou movimentos sociais, acabam por influenciar direta ou indiretamente os meios oficiais e legais responsáveis pela condução e gerenciamento da Educação Profissional no Brasil.

O texto acima faz parte do 1° capítulo do meu artigo "UM ESTUDO ACERCA DA DISCIPLINA HISTÓRIA NO PROEJA-IFPA" produzido para a obtenção do título de Especialista em Educação Proeja.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

SUGESTÕES PARA PROFESSORES QUE TRABALHAM COM HISTÓRIA ANTIGA: ROMA





Esta minissérie fornece ao professor de História a possibilidade de trabalhar temáticas como militarização, política, sexualidade, e religiosidade na sociedade romana na transição da República para o Império. Esta milionária produção da HBO/BBC se divide em duas temporadas que nos proporciona informações valiosas a respeito do funcionamento da sociedade romana bem como nos permite conhecer as trajetórias de vida de personagens históricos conhecidos de nossas aulas e pesquisas como Júlio César, Pompeu, Marco Antônio, Brutus, Cleópatra, Otávio, dentre outros.
Enfim, ROMA além de ser uma bela opção de programa cultural também se torna um poderoso recurso didático nas aulas de História. Eu recomendo !!!

domingo, 15 de agosto de 2010

“COMUNIDADES DE PRÁTICA” E SUAS CONTRIBUIÇÕES NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA.


Dentre os vários conceitos pesquisados destaco aqui o de McDermott quando define comunidades de prática como “Agrupamento de pessoas que compartilham e aprendem uns com os outros por contato físico ou virtual, com um objetivo ou necessidade de resolver problemas, trocar experiências, desvelamentos, modelos padrões ou construídos, técnicas ou metodologias, tudo isso com previsão de considerar as melhores práticas”. (McDERMOTT, 2000). Quando McDermott desenvolve seu conceito ele faz referências a dois aspectos fundamentais para o sucesso da EAD: O primeiro é o fato de aprendermos uns com os outros quebrando com a estrutura tradicional do processo ensino-aprendizagem onde o professor é o dono absoluto do conhecimento e o aluno um mero receptor de informações. O outro aspecto diz respeito ao encontro virtual, meio pelo qual a EAD se desenvolve e se consolida cada vez mais como um processo educacional eficaz e de confiança para a sociedade brasileira.
Ao entrar em contato com o texto da autora Neli Maria Mengalli sobre Comunidades de Prática notamos que os diversos conceitos explorados no texto trazem em sua essência uma íntima relação com a realidade da Educação à Distância. Valores como a iniciativa própria, vontade de aprender, produção de conhecimento, socialização das produções, e auto-organização, se tornam uma constante no processo de ensino-aprendizagem dentro da Educação à Distância.
Segundo Etienne Wenger Comunidades de práticas são “comunidades que reunem pessoas unidas informalmente – com responsabilidades no processo – por interesses comuns no aprendizado e principalmente na aplicação prática do aprendido”. Se notarmos, a iniciativa de se reunir por interesse comum no aprendizado é uma ação necessária para que a Educação à Distância tenha êxito como processo educacional. Wenger ainda afirma que essas comunidades são constituídas por pessoas que aprendem, constroem e fazem a gestão do conhecimento.
Portanto, ao trabalharmos os diversos conceitos de Comunidades de Prática notamos que características fundamentais para que essas comunidades funcionem com sucesso também são fundamentais para que a EAD se consolide cada vez mais como uma alternativa concreta de Educação no cenário brasileiro.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

AOS FUTUROS PEDAGOGOS DA TURMA 10 EM MOJU

Durante o período de 19/07/2010 a 24/07/2010 ministramos a disciplina Fundamentos Teóricos e Metodológicos do Ensino de História para o curso de Pedagogia do IFPA no município de Moju. Foi uma semana de muita troca de conhecimento e de muita aprendizagem de ambas as partes (Docente e discentes). Aprendi muito com as diversas experiências de vida que tive contato durante este período e acredito que conseguimos modificar a visão tradicional que nossos “alunos/Professores” tinham da disciplina História no ambiente escolar.
Os filmes, as leituras de textos, os debates (na maioria das vezes “acalorados”), os seminários, as dinâmicas, foram meios utilizados para formarmos uma nova visão da História para os futuros pedagogos da turma 10. Mas, se por um lado orientamos, por outro lado, aprendemos muito: Aprendemos com os professores do multiseriado (Parabéns por superarem as dificuldades que é ensinar para alunos de séries diferentes no mesmo espaço de sala de aula); Aprendemos com a visita à exposição de arqueologia que fazia referência a comunidade Quilombola do município; Aprendemos com expressões no mínimo diferentes como, por exemplo, “fogo na bagaça” (belo momento de descontração da turma); Aprendemos com as experiências profissionais de todos vocês; Aprendemos com suas participações nos debates dos textos trabalhados.
Enfim, esta semana de julho foi um momento muito especial e construímos o processo de ensino-aprendizagem da forma que acreditamos ser a ideal: De forma coletiva e dialogada. Bem, era isso. Desejo aos futuros pedagogos da “turma 10” sucesso em suas trajetórias profissionais e lembrem-se: Não desistam dos sonhos de vocês, pois como na música de encerramento da disciplina “Tudo posso naquele que me fortalece”. FIQUEM COM DEUS!!!!