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terça-feira, 7 de setembro de 2010

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL: UMA RUPTURA CONSERVADORA



No dia 7 de Setembro de 1822 dom Pedro dá o “grito do Ipiranga” e o Brasil rompe formalmente os laços políticos com Portugal. É assim, pelo menos, que conhecemos o fato histórico que ficou registrado como Independência do Brasil (ver o quadro acima de Pedro Américo - Independência ou Morte: 7 de setembro de 1822) . Feita a descrição do fato de forma bem positivista, perguntamos: O que mudou de fato?
Nosso processo histórico de Independência foi caracterizado pela preservação dos interesses da elite proprietária de terras e de escravos. As revoltas que ocorreram na Colônia, como a Conjuração Mineira (1789), de nada influenciou o evento de 1822 uma vez que uma República jamais foi mencionada como opção de governo pela justificativa de preservação de unidade territorial. Tal justificativa, na verdade, escamoteava a preocupação dos grandes proprietários para com seus latifúndios.
Outra questão que passou distante da Independência do Brasil foi a libertação de escravos. Na verdade, a Independência do Haiti (processo realizado por escravos) se tornou uma forte dor de cabeça para nossa elite escravocrata. No pensamento dessa elite, nossa independência não poderia mencionar a palavra “Liberdade” tendo em vista o grande número de escravos que viviam no Brasil e a dependência que nossa economia tinha de tal mão-de-obra. Por isso, o evento de 1822 ocorreu a partir da elite e para a elite. Outros grupos sociais (principalmente os populares) ficaram excluídos dos debates políticos.
Portanto, respondendo a questão do início do texto, o que mudou? Não mudou muita coisa. Nossa Independência foi uma ruptura conservadora. Foi uma transformação organizada por nossas elites proprietárias para preservar a estrutura social e econômica do Brasil. E assim nosso país agora “Independente” deixava de ser Colônia para viver a fase do Império.
AH TÁ....JÁ IA ESQUECENDO....PARABÉNS A TODOS NÓS BRASILEIROS!!!

10 comentários:

  1. Leonardo, valeu a visita e o comentário. Um ótimo artigo sobre a independência saiu no Estadão escrito por Isabel Lustosa que relembra um artigo de 1995 escrito por Maria de Lourdes Viana Lyra na Revista Brasileira de História n. 15 (que pode ser baixada no sítio da ANPUH - www.anpuh.org). O artigo trata do processo de definição da data da independência e porque o 7 de setembro consolidou-se: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100907/not_imp606171,0.php

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  2. Caro Leonardo. Será que até hoje somos independentes? Ao longo da História, dá para se perceber que a preservação da estrutura social e econômica pelas elites não mudou. Até com o Lula dá para se perceber isso.

    Valeu pela visita ao Saiba História!

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  3. Meu caro amigo Leonardo, uma pergunta pertinente fez o Prof. Adinalzir: "Será que até hoje somos independentes?". O Brasil conquista sua soberania, isto é bem verdade. O Brasil torna-se um país com poder local próprio, isto é outra verdade, mas o que mudara na sociedade brasileira de Colônia para Império, ao meu ver apenas o nome. Contudo celebramos alegres mais um feriado do ano, e o mais importante, o 7 de setembro é mais celebrado no Brasil do que propriamente o 15 de novembro de 1889. E convenhamos, os dois processos fora apenas uma troca de nome, pois no Brasil Imperial além do governo próprio, o Brasil continua dependente, só que a metrópole esta sim muda, deixamos de dar satisfação a Portugal pra atribuir a Inglaterra que se tornara o centro econômico da época. E sobre a Inglaterra e suas "safadezas" no nosso país, A. Tenório d'Albuquerque diz: "Em 1832, a Inglaterra não queria ainda admitir a nossa independência, apesar de já a ter reconhecido em troca de empréstimos e de inúmeras vantagens comerciais que obtivera" (D'ALBUQUERQUE, 19[__], p.442), e: "Mal se refazia o Brasil das lutas da independência, quando a Inglaterra se prevaleceu da circunstância para impor-nos um tratado aviltande (...) Referimo-nos à humilhação imposta ao Brasil pela Inglaterra, com a assinatura do tratado de 23 de novembro de 1826" (Idem, p.445).
    Faço lembrar, também das palavras que a candidata a Presidência da República, Dilma Rouseff dissera em entrevita coletiva: que o Brasil tornara-se independente no momento em que pagara a dívida externa. Quer dizer que até nossos políticos admitem ser uma farsa o 7 de setembro? Realmente nada contribuiu para o processo conhecido como independência os ideários utilizados na Conjuração Mineira e Baiana, nem tampouco os da Revolução de 1817 em Pernambuco, tendo em vista que o movimento, assim como o 15 de novembro, o republicano, acotecera apenas na esfera política dominante. E há quem diga que esse processo fora um acordo entre Portugal e Brasil por pressão inglesa, mas como isso não é fato comprovado, então fica no vácuo da História.

    Fica então esta reflexão e obrigado pela visita e comentário no meu blog, que possamos trocar comentários em favor do crescimento intelectual.

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  4. Prezado Cláudio, obrigado pela visita ao "História, Educação, e Cultura" e pode deixar que verificarei a sugestão de leitura.

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  5. Prof. Adinalzir, o objetivo do post foi exatamente esse: Discutir a natureza da Independência que ocorreu em nosso país. De fato concordo com você, vivemos a muito tempo "rupturas conservadoras".

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  6. Prezado Prof. Jefferson, agradeço sua inteligente contribuição ao "História, Educação, e Cultura". Espero que este diálogo se fortaleça buscando a divulgação de uma História Crítica. Um grande Abraço!

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  7. Eu creio que a Independência é, digamos, mascarada. Isso porque somos, de certa forma, dependentes culturalmente.

    Abração, Leonardo, e obrigado pelo comentário em meu blogo.

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  8. Caro Valdeir, agradeço sua participação no "História, Educação, e Cultura" e volte sempre. Um grande abraço!

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  9. Saudações e obrigado pelos comentários em meu blog, quanto ao texto sobre Independência do Brasil, meus parabéns, ele é muito interessante, alguns historiadores reforçam a idéia da manutenção do status quo, dizendo que "a independência do Brasil está na contra mão da história", afinal, rompemos com Portugal mas continuamos governados pelos membros da Família Real, rompemos com a monarquia portuguesa para sermos governados por um imperador, a palavra independência estava longe de ser sinônimo de liberdade, pagamos altas cifras pelo reconhecimento da nossa independência e as elites continuaram usufruindo do poder. No Brasil, os conceitos de ruptura e permanência são faceis de serem reconhecidos em nossa história, dentre eles quase sempre sobressaiu as permanências. Um fraterno abraço.

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  10. Um grande abraço aos amigos do "História Pensante" e agradeço a participação sempre muito inteligente.

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