domingo, 19 de dezembro de 2010

A REPRESENTAÇÃO CRISTÃ DE TIRADENTES: DE TRAIDOR NO BRASIL COLÔNIA A HERÓI NACIONAL REPUBLICANO.


A figura de Joaquim José da Silva Xavier, o “TIRADENTES”, é uma presença marcante nas aulas de história das séries da Educação Básica. O curioso é que, em um primeiro momento, ele é apresentado como traidor por sua participação na Inconfidência Mineira (1789), sendo inclusive condenado à morte por crime de “lesa-majestade”, e, em um segundo momento, ele é apresentado como herói nacional de nossa República instaurada em 1889. Mas, afinal de contas, como esse personagem, num espaço de 100 anos (1789-1889), vai de traidor a herói nacional, ganhando inclusive representações semelhantes à de Cristo?
A resposta para a pergunta acima deve ser formulada a partir do contexto histórico da Proclamação da República (1889). Quando nosso regime republicano foi instaurado não gozava de simpatia popular. Lembremos aqui que, o golpe republicano foi coordenado por parte de uma facção militar (MOCIDADE MILITAR), contando também com a participação de alguns republicanos civis, mas tudo muito longe de uma participação popular ativa. Murilo de Carvalho chegou a dizer que o povo assistiu a tudo “bestializados”. Somado a isso, o processo de secularização do Estado (separação entre Estado e Igreja) também contribuiu para que a República não conquistasse a simpatia popular. Logo, o regime que chegou ao poder em 1889 tinha uma difícil tarefa: Conquistar o apoio popular.
É nesse contexto que surge a figura heróica e messiânica de Tirandentes. Nossas autoridades republicanas aproveitaram o histórico de vida do nosso personagem, principalmente sua participação na Inconfidência Mineira (só para lembrar que este movimento buscava instaurar uma República independente de Portugal) para torná-lo o grande herói da Pátria que conhecemos hoje. Mas qual foi a estratégia que nossos republicanos utilizaram para transformá-lo em herói?
Ora, em um país de esmagadora maioria cristã como o nosso, qual a grande figura que se destaca quando falamos em justiça, salvação e libertação? Jesus Cristo. Pois ai está a estratégia republicana para tornar Tiradentes o grande herói nacional que conhecemos hoje. Como fizeram isso? Através de representações simbólicas: Tiradentes que provavelmente nunca teve barba, agora apresentava longas barbas. Também adicionaram um camisolão que o mesmo utilizava um pouco antes de sua execução. E assim, semelhante a Cristo, nascia nosso novo herói republicano nacional.

domingo, 12 de dezembro de 2010

"TENHO QUE APRENDER A CONVIVER COM ISSO. PARA ALGUMAS PESSOAS, GERA DESCONFORTO UM JORNALISTA ESCREVER UM LIVRO DE HISTÓRIA QUE VIRA BEST-SELLER".

A frase acima é parte de uma resposta de Laurentino Gomes quando questionado sobre a crítica de historiadores à sua obra “1822”, que inclusive virou um Best-seller.
O presente post pega carona nessa resposta para debater algumas questões polêmicas: A produção historiográfica deve ser exclusiva de historiadores? E você historiador, qual é a sua postura ao ver ou um jornalista, ou um advogado, ou um médico, escrever sobre História?
O autor deste blog tem um posicionamento: Se a pessoa tem competência para escrever sobre a temática pesquisada, que escreva. Entretanto, é compreensível sim que exista uma preocupação sobre a entrada de profissionais de outras áreas produzindo sobre História. Não se trata de simples “dor de cotovelo”, mas de uma preocupação legítima em resguardar nossa função e nossa área de atuação perante a sociedade.
Gosto muito de debater sobre leis, mas isso não faz de mim um advogado. Não estou criticando o sucesso de “1822” e nem seu autor, pois acredito que seja um jornalista muito competente. A vendagem de seu livro prova isso. O que defendo aqui é uma postura mais ativa dos profissionais de História para legitimarem suas atividades frente à sociedade. Ainda mais agora que nossa regulamentação profissional está tão próxima.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Livro apresenta a história do O.k., palavra mais falada do planeta


“Oquei”, a palavra “mais falada e digitada do planeta”, surgiu como uma piada. Foi como uma brincadeira que um jornal de Boston criou, em 1839, a expressão “O.k.”, que designava “tudo certo” e que se propagou a ponto de ser reconhecida hoje em qualquer parte do mundo. A origem “improvável” e a trajetória do termo são objeto de um estudo recém-publicado nos Estados Unidos. Segundo o linguista Allan Metcalf, autor do livro “OK”, ela é a invenção mais sensacional da língua inglesa, e é difícil explicar por que é tão bem sucedida.
“O.k. é muito incomum, e palavras incomuns dificilmente entram no vocabulário popular. Foi uma combinação muito estranha de coincidências que ajudou essa palavra, que surgiu como uma brincadeira, a se tornar tão importante”, disse, em entrevista ao G1.
Para ele, o som da combinação dessas duas letras é muito importante, e até mesmo o formato de OK, com uma letra tão redonda e outra tão pontiaguda, ajudou a prendê-la no vocabulário. “Outras palavras semelhantes, como OW, que foi uma opção criada na mesma época, não têm o mesmo efeito e não chegaram tão longe”, disse.
O som, “oquei”, também foi responsável pela divulgação internacional do termo, diz. Seu som é importante, pois quase todos os idiomas têm letras que soam similares ao O e ao K, e aceitam bem a combinação das duas.
História e versões
Nos anos 1930, um jornal de Boston tinha o hábito de brincar com o idioma e transformar expressões em siglas, novas palavras compostas pelas iniciais. Junto a termos ilegíveis como W.O.O.O.F.C. (with one of our first citizens - com um de nossos primeiros cidadãos) e R.T.B.S. (remais to be seen - Ainda precisa ser visto), a edição de 23 de março de 1839 trazia pela primeira vez o termo “o.k. – all correct”. Era uma brincadeira que trocava as primeiras letras do “all correct” (tudo certo), de acordo com o som delas na palavra. Uma brincadeira que gerou a palavra “mais bem sucedida da língua inglesa”, segundo Metcalf.
Esta história do termo, reforçada pelo livro de Metcalf, já foi comprovada por diversos estudos nos Estados Unidos. Mesmo assim, ao longo dos mais de 170 anos em que O.k. foi usada, não faltaram pesquisas a divulgar versões alternativas para o surgimento da palavra. “A história é tão simples que às vezes parece insultar nossa inteligência. Faz com que precisemos de algo mais interessante, mesmo que não seja verdadeiro”, justifica o linguista.
Em seu livro, Metcalf apresenta nada menos de que 18 dessas versões, tanto nos Estados Unidos quanto em outros idiomas. A que mais o surpreendeu, contou, era uma que dizia que O.k. era uma variação de “okeh”, um termo indígena usado pela tribo choctaw como "está certo", no fim das frases. “Essa versão enganou muitos professores de renome, e isso foi uma coisa muito estranha para mim.”
Tecnologia e futuro
O sucesso de O.k. está muito ligado à tecnologia, Metcalf explica. A palavra surgiu na mesma época em que se desenvolviam as primeiras formas de comunicação por telégrafo e se consolidou como termo de confirmação neste tipo de diálogo à distância. Com o advento da informática, ele ganhou ainda mais força ao se tornar sinônimo de “sim”, de “aceitar”, de “faça”, em comandos no computador.
À medida que a internet se consolidou, o modelo de criação de palavras com iniciais se tornou mais popular em todo o mundo. Em inglês, a cada dia aparecem novas siglas que são usadas como se fossem palavras, frases inteiras resumidas em poucas letras, para acelerar o diálogo.
Segundo Metcalf, entretanto, não há possibilidade de nenhuma dessas novas palavras ganhar a força que O.k. tem atualmente. “Não consigo imaginar que nenhuma outra palavra nova possa chegar perto de O.k. A palavra se tornou tão importante, que é quase impossível que algo semelhante aconteça novamente. O.k. é impressionante por isso. É o último dinossauro vivo dessa geração de palavras inventadas como piada nos anos 1830, e como último dinossauro, se tornou mais atraente, interessante e mais valorizada”, disse.
Filosofia
Metcalf não é modesto em sua defesa do O.k. Além de chamar a palavra de “a mais bem sucedida” e “mais falada”, ele diz que ela é “a resposta americana a Shakespeare. É uma filosofia inteira expressa em duas letras”.
O pesquisador explica que os americanos nunca foram muito afeitos a pesquisas filosóficas, e sempre preferiram estudos mais práticos e diretos. “O.k. representa este pragmatismo da mentalidade norte-americana, de querer que as coisas funcionem e completar os objetivos, mesmo que não busque a perfeição e a explicação para tudo”, disse.
Por outro lado, completou, graças ao livro “Eu estou O.k. Você está O.k.”, Best seller de autoajuda escrito por de Thomas A. Harris, “O.k. se tornou um símbolo da tolerância, que também é parte importante da nossa filosofia. Esta expressão estimula a ideia de que é aceitável ser diferente na sociedade, o que é bem importante em nossa filosofia.”
Fonte: Daniel Buarque do G1, em São Paulo. (http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/12/livro-apresenta-historia-do-ok-palavra-mais-falada-do-planeta.html)

domingo, 28 de novembro de 2010

OS "FILHOS DA VIÚVA" NO GRÃO-PARÁ


Comumente apontada entre os principais eventos sociais e políticos do século XIX (Independência, Abolicionismo e República) a maçonaria tem despontado na historiografia como um importante espaço de sociabilidade e de divulgação de idéias liberais/ilustradas. De acordo com Eliane Colussi, a maçonaria poderia ser definida em termos gerais como uma espécie de associação fraternal organizada em torno de rituais e símbolos assentados em torno da questão do segredo e do aperfeiçoamento intelectual da sociedade, caracterizando-se pelas ações filantrópicas e por não orientar política e religiosamente os seus membros (COLUSSI, 1998: 24).
Reza a lenda que Hiram Abiff, filho de uma viúva da tribo de Neftali, era o mestre construtor do templo do rei Salomão e detentor de grandes talentos e virtudes. Sob a sua inspeção os operários da obra teriam sido divididos em três categorias: aprendizes, companheiros e mestres. O objetivo seria possibilitar uma espécie de promoção ao final da construção do templo, para que os companheiros mais dedicados pudessem ser elevados à categoria de mestres e assim pudessem retornar as suas respectivas pátrias em melhores condições do que antes. Aconteceu, porém, que um grupo de companheiros, que ainda não havia concluído seus estudos e tão pouco desfrutava da experiência necessária, resolveu obter a qualquer custo a “palavra sagrada” ou o “segredo” característico exclusivamente dos mestres que era então guardado por Hiram Abiff. Os companheiros assassinaram o mestre construtor, mas não conseguiram arrancar dele o conhecimento que tanto queriam. Numa perspectiva esotérica, a lenda explica a origem da maçonaria. Numa perspectiva histórica ela é apenas um dos elementos que nos ajudam a compreendê-la. Deste modo, a lenda de Hiram Abiff acaba sendo um recurso pedagógico e sociológico que pode ser entendido em seu conjunto de símbolos e alegorias ético-moralizantes que visam imiscuir valores nos membros da maçonaria através dos rituais e demais ensinamentos. Além do que, é dela que provém o termo filho da viúva então tomado como sinônimo de maçom. Outras teorias esotéricas e históricas poderiam ser enumeradas, mas fugiriam ao intuito desta pequena incursão.
De maneira geral, os maçons ou filhos da viúva se estabeleceram no Brasil no inicio do século XIX e tiveram tamanha atuação social que se tornou muito difícil referir certas conjunturas sem mencionar a atuação maçônica. Ainda segundo Colussi, os exemplos seriam muitos e perpassariam pela “independência, a abdicação de d. Pedro I, a difusão do pensamento liberal no Brasil, a questão religiosa, a luta pela separação Estado/Igreja, o abolicionismo, o movimento republicano e outros” (COLUSSI, Op. Cit.: 38). No Pará, a primeira loja foi estabelecida em 1831. Em meio a um conturbado contexto marcado pela memória recente dos acontecimentos em torno da Adesão do Pará à Independência do Brasil em 1823 – quando cerca de 256 presos políticos foram sufocados com cal no porão do navio Brigue Palhaço pelas forças legalistas de D. Pedro I –, da crescente insatisfação diante do descaso para com a região e das constantes nomeações de governos que excluíam as lideranças locais; foi estabelecida na capital paraense a loja maçônica Tolerância. Loja esta que quatro anos mais tarde seria completamente destruída pelos cabanos. E qual a razão disso? Provavelmente a relação feita entre maçonaria e elementos elitistas e estrangeiros.
Somente na década de 1950 a maçonaria paraense voltaria a se reorganizar, vindo a participar de outros eventos sociais importantes como a Questão Religiosa. Neste sentido, torna-se interessante revisitar as experiências da maçonaria na capital paraense para se ponderar a respeito das relações sociais estabelecidas pelos sujeitos ligados à instituição maçônica e aqueles que lhes faziam oposição.
FONTE:SANTOS, Alan C. S. Os filhos da viúva na região amazônica: uma pequena história da maçonaria paraense do século XIX, comunicação apresentada no II Seminário nacional de pós-graduandos em história da instituições, UNIRIO, 2009.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Futebol, Paixão Nacional? Para Graciliano Ramos, Não.


A imagem do Brasil como terra do futebol surgiria só a partir da Copa de 1950, quando a seleção perdeu a final, no Maracanã, para o Uruguai. Na década de 1920, porém, o futebol ainda era uma atividade estrangeira e elitista como o turfe.
Graciliano Ramos, numa crônica em 1921, defendeu que o futebol era uma moda passageira que jamais pegaria no Brasil. Acreditava que o esporte combinava com a personalidade “bronca” do brasileiro. Um trecho da Crônica dizia: “Mas por que o football? Não seria, por ventura, melhor exercitar-se a mocidade em jogos nacionais, sem mescla de estrangeirismo, o murro, o cacete, a faca de ponta, por exemplo? Não é que me repugne a introdução de coisas exóticas entre nós. Mas gosto de indagar se elas serão assimiláveis ou não”. (Milton Pedrosa, Gol de letra: O futebol na Literatura Brasileira, pág.167).
Na mesma crônica, o escritor patriota ainda pediu que os jovens esquecessem o esporte e resgatassem, em nome da cultura brasileira, atividades nacionais que andavam esquecidas, como a queda de braço e a rasteira: “Reabilitem os esportes regionais que aí estão abandonados: o porrete, o cachação, a queda de braço, a corrida a pé, tão útil a um cidadão que se dedica ao arriscado ofício de furtar galinhas, a pega de bois, o salto, a cavalhada e, melhor que tudo, o cambapé, a rasteira. A rasteira! Este, sim, é o esporte nacional por excelência! (Milton Pedrosa, Gol de letra: O futebol na Literatura Brasileira, pág.168).
Hoje, somos considerados o país do futebol, com cinco títulos mundiais e os melhores jogadores do mundo. Então, só resta fazer uma pergunta: Se Graciliano Ramos fosse vivo, o que diria Hoje???
Fonte: Narloch, Leandro. Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil. São Paulo: Leya, 2009.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A REPÚBLICA E O ESTADO LAICO


Este texto trata das discussões que se desenvolveram dentro do congresso republicano recém-instaurado acerca do casamento civil, da secularização dos cemitérios, da laicidade do ensino, e da institucionalização do divórcio, questões essas que acabariam afastando o regime republicano da simpatia popular.
O casamento civil se tornou a única forma de união conjugal reconhecida pelo Estado republicano. Ficava vedado ao Estado o estabelecimento de um credo oficial. O Brasil tornava-se jurídica e politicamente um país laico.
Os cemitérios, com a República, passariam a ter um caráter secular e sua administração ficaria sob responsabilidade do município. A palavra “secular”deriva do nome “século”, que por sua vez, significa vida profana, ou seja, oposto à vida religiosa. E “profano”, por sua vez, é o que esta fora do espaço sagrado do templo. Daí porque os cemitérios são considerados, pela República, externos à moral religiosa. Porém, ficavam liberados a todos a liberdade de culto, com os rituais próprios para sepultarem seus mortos, desde que não ofendessem a moral pública e as leis.
A laicidade do ensino. O ensino religioso que no Império era obrigatório, com a República perde espaço e prestígio. Seguindo uma visão positivista, o ensino republicano passaria a dar ênfase na propagação das ciências, principalmente, as exatas como a matemática.
O divórcio talvez foi um dos pontos em que republicanos positivistas e religiosos católicos ficaram do mesmo lado. Lauro Sodré, que era um positivista extremado, não concordava com o divórcio, pois, segundo ele, afetava a moral que a sociedade tanto precisava para se desenvolver e evoluir.
Todas essas questões analisadas acima foram alvos de discussões dentro do Congresso republicano. Foi para tentar defender os interesses da Igreja que católicos entraram na política formando os partidos católicos por vários estados do Brasil. De um lado, os constituintes católicos querendo amenizar a perda da hegemonia da Igreja, do outro, a representação do Apostolado Positivista dentro do Congresso para intensificar o projeto de laicidade do Estado.
Desta forma, o regime republicano instaurado em 15 de Novembro de 1889 começaria a despertar a antipatia da população, o que, sem dúvida nenhuma, representou uma séria ameaça para a consolidação do novo regime. Mas isso é tema para o próximo post!!!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ENEM - EXAME NACIONAL DOS ERROS MEDÍOCRES


Mais uma vez, o que era para ser o momento mais importante da vida de um estudante do Ensino Médio, acabou se tornando um evento cheio de erros, tanto na esfera estrutural (caderno de provas, cartão resposta, escolha de locais de prova, etc) quanto na esfera dos conteúdos da prova.
Na esfera estrutural ocorreu de tudo: Cartão resposta com a ordem das disciplinas invertidas, caderno de provas com questões faltando, cartão resposta sem o nome de identificação do aluno, dentre outros. Ficam então os questionamentos: Como uma prova tão importante, que decide o ingresso do aluno em várias universidades públicas e particulares, pode apresentar erros tão absurdos? Após todos esses problemas apontados, como exigir de nossos educandos concentração e tranqüilidade no momento de resolução das questões?
Na esfera teórica da prova, que envolve os conteúdos cobrados nas questões, também tivemos erros absurdos na parte referente à História (Analisaremos apenas esta disciplina por se tratar do objeto de estudo principal deste blog). A seguir, algumas “pérolas” da prova de História:
1 – Para o Enem, a abertura dos portos ocorreu em 1810. Acreditem! É isso mesmo!!! 1810. Tal falha provocou um comentário do autor do livro de onde a prova teria retirado a informação. No comentário, Laurentino Gomes avisa que tal fato ocorreu em 1808 e faz questão de deixar claro que o seu livro informa de maneira correta e que a falsa informação é de responsabilidade do Enem.
2 – Em outra questão, “sociedades fortemente estratificadas”, para o Enem, são aquelas que apresentam a IMPOSSIBILIDADE DE SE MUDAR DE ESTRATO SOCIAL. A questão gerou discussão uma vez que IMPOSSIBILIDADE é uma palavra complicada de se utilizar neste contexto. Seria mais correto afirmar que “Sociedades fortemente estratificadas” apresentam possibilidades de mudanças sociais bastante limitadas.
Diante de todos esses erros ficam alguns questionamentos: As provas aplicadas não devem ser anuladas? Como uma prova de significado tão importante na Educação brasileira pode apresentar tantos desacertos? De quem é a responsabilidade? E o aluno prejudicado, como deve agir? Continuaremos acompanhando o desenrolar dessa história e torcendo para que as autoridades responsáveis tomem as medidas justas para o bem da Educação brasileira.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

DEODORO E BENJAMIN: LÍDERES DO GOLPE REPUBLICANO



Entrando no clima Republicano do 15 de Novembro, o "História, Educação, e Cultura" inicia uma série de textos relacionados ao Advento da República no Brasil. Começamos então por duas importantes personalidades históricas de nossa República: Deodoro da Fonseca e Benjamin Constant.
Deodoro da Fonseca (representado na 1° imagem por Hipólito Carón) gozava de grande valor dentro do Exército principalmente pelas suas qualidades guerreiras. Comandava e administrava a guarnição mais poderosa do país e tinha sua vida inteira vinculada ao Exército onde conquistou todas as suas glórias. Sua posição dentro do Exército como típico troupier, militar de campo de batalha, e que havia prestado grandes serviços ao Brasil durante a Guerra do Paraguai, estava bastante insatisfeito com a realidade do Exército dentro do Império. Promoções lentas, vencimentos baixos, a não modernização do Exército e a ausência de investimentos provocavam em Deodoro grande insatisfação com o Governo. Esse contexto de atraso ao qual o Exército estava submetido seria fundamental para que mais tarde Deodoro aderisse à conspiração militar-republicana e liderasse o Exército rumo a Proclamação da República.
Porém, se Deodoro era importante no processo do golpe, Benjamin Constant foi fundamental na liderança dos militares da Escola Militar da Praia Vermelha, mais conhecidos como Mocidade Militar.
Benjamin Constant (representado na 2° imagem) era militar, mas ao contrário de Deodoro, não gostava da carreira militar dos campos de combate, era mais atraído pelo magistério. Era professor da Escola Militar da Praia Vermelha onde iniciou um intenso relacionamento com seus alunos que então constituíam a Mocidade Militar. Para Celso Castro (Autor de “ Proclamação da República”), o fato de Benjamin Constant não gozar de recursos sociais herdados e de sempre ter alcançado sucesso na vida através de méritos próprios, além de ter uma mentalidade cientificista (ele era professor), todos esses fatores serviram de elementos de identificação social com a Mocidade Militar que logo viu nele a liderança ideal para conduzí-los neste processo que culminou com a Proclamação da República. O sentimento de pertencer a uma elite intelectual e a sensação que o Governo tudo fez para prejudicar sua carreira, de certa forma, empurraram Benjamin para o Positivismo onde se filiou rapidamente atraído pelos ideais cientificistas. Porém, de líder a golpista havia uma enorme distancia a ser percorrida.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A POLÍTICA NO BRASIL IMPÉRIO: LIBERAIS E CONSERVADORES NA DISPUTA PELO PODER.


Basicamente há na historiografia três correntes acerca da relação entre esses dois partidos políticos: Os que negam qualquer diferença entre eles, os que distinguem através da classe social e os que os diferenciam por qualquer outro motivo como, por exemplo, a origem regional.
Entretanto, nosso objetivo aqui não é esse, mas sim demonstrar como esses dois partidos se relacionavam na luta pela disputa do poder. Sabemos que suas idéias e seus embates agitavam a vida em todos os setores da sociedade do Império e que influenciavam intensamente o funcionamento do Estado brasileiro. Suas posições de Governo ou oposição dependiam diretamente da vontade do imperador. Lembremos que no Império e até mesmo nos anos iniciais da República a participação da população na política era reduzidíssima. Liberais e Conservadores estavam longe de representar a opinião pública, logo suas participações no poder governamental dependiam do relacionamento com imperador e dos esquemas de fraudes que predominavam nas eleições políticas. O partido que se encontrasse no poder utilizava-se da máquina do governo para manter tal posição. É claro que esse jogo político dependia exclusivamente de uma única peça: O imperador. Ele foi o responsável pela alternância no poder desses dois partidos durante quase sete décadas de Império. Na verdade, o imperador fazia o papel da opinião pública que naquele momento não existia devido a política ser algo exclusivo de uma pequena parcela da sociedade, a elite. Tanto que o critério não só para votar como também para se candidatar a algum cargo político, era através da renda financeira (censitário). Se quando para chegar ao poder os dois partidos agiam da mesma maneira (ambos praticavam fraudes eleitorais), quando chegavam, então, não era muito diferente. Tanto que se criou uma máxima no Império: “nada mais conservador do que um liberal no poder”. Curiosamente embora historicamente o partido Liberal tenha sido elaborador de reformas, de crítica à realidade do Império, porém, as principais mudanças implantadas durante o Império foram de autoria de ministérios Conservadores. O que também não retira do partido Liberal sua importante função de pressionar para que tais mudanças ocorressem.
A hegemonia desses dois partidos começou a ser abalada por volta da década de 1860 e daí se estendeu até o final do Império. O surgimento do partido Progressista (1864-1868) e mais tarde seu desmembramento com a formação do partido Republicano em 1870 abalou a polarização do poder entre Liberais e Conservadores. Princípios do liberalismo clássico (maior liberdade individual, expansão dos direitos políticos a toda sociedade, reformas sociais) e mais a ocorrência de alguns fatos como a abolição da escravidão, os conflitos com o exército e com a igreja, serviram para minar as bases da Monarquia e ocasionar a queda destes dois partidos. Com a Monarquia extinta em 1889, os partidos Liberal e Conservador deixaram de ter razão para existir haja vista suas convicções monárquicas.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL: UMA RUPTURA CONSERVADORA



No dia 7 de Setembro de 1822 dom Pedro dá o “grito do Ipiranga” e o Brasil rompe formalmente os laços políticos com Portugal. É assim, pelo menos, que conhecemos o fato histórico que ficou registrado como Independência do Brasil (ver o quadro acima de Pedro Américo - Independência ou Morte: 7 de setembro de 1822) . Feita a descrição do fato de forma bem positivista, perguntamos: O que mudou de fato?
Nosso processo histórico de Independência foi caracterizado pela preservação dos interesses da elite proprietária de terras e de escravos. As revoltas que ocorreram na Colônia, como a Conjuração Mineira (1789), de nada influenciou o evento de 1822 uma vez que uma República jamais foi mencionada como opção de governo pela justificativa de preservação de unidade territorial. Tal justificativa, na verdade, escamoteava a preocupação dos grandes proprietários para com seus latifúndios.
Outra questão que passou distante da Independência do Brasil foi a libertação de escravos. Na verdade, a Independência do Haiti (processo realizado por escravos) se tornou uma forte dor de cabeça para nossa elite escravocrata. No pensamento dessa elite, nossa independência não poderia mencionar a palavra “Liberdade” tendo em vista o grande número de escravos que viviam no Brasil e a dependência que nossa economia tinha de tal mão-de-obra. Por isso, o evento de 1822 ocorreu a partir da elite e para a elite. Outros grupos sociais (principalmente os populares) ficaram excluídos dos debates políticos.
Portanto, respondendo a questão do início do texto, o que mudou? Não mudou muita coisa. Nossa Independência foi uma ruptura conservadora. Foi uma transformação organizada por nossas elites proprietárias para preservar a estrutura social e econômica do Brasil. E assim nosso país agora “Independente” deixava de ser Colônia para viver a fase do Império.
AH TÁ....JÁ IA ESQUECENDO....PARABÉNS A TODOS NÓS BRASILEIROS!!!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL


Assim como a EJA, a Educação Profissional no Brasil possui suas particularidades e especificidades que fazem com que esta modalidade de Educação necessite de uma maneira muito singular para sua condução e seu desenvolvimento. Tratar a Educação Profissional para além da perspectiva oficial e hegemônica é falar necessariamente dos atores sociais historicamente envolvidos em sua trajetória, os “desprovidos de riquezas”. Para isto é necessário retroceder a umas questões centrais nesta discussão: Nossa Educação Básica visa formar o cidadão ou a inserção do homem no mercado de trabalho?
Fazemos referências ao questionamento acima, pois entendemos que esta dualidade permeou a condução da trajetória tanto da Educação Profissional como da Educação básica. Até final do séc. XX cristalizou-se a idéia de que a Educação Profissional era destinada aos filhos das classes sociais menos favorecidas enquanto que o ensino Superior seria freqüentado pelos filhos das elites dirigentes deste país.
Este dualismo da Educação brasileira vai sofrer a primeira alteração no contexto do “milagre econômico” (1968 a 1973) quando a formação profissional passa a ocupar um papel fundamental no campo das mediações das práticas educativas no sentido de atender as exigências do sistema capitalista. É neste momento que se regulamenta a Profissão de técnico de Nível Médio.
Na verdade, o momento acima citado foi uma resposta que o Estado deu à sociedade uma vez que os filhos das classes sociais “desprovidas de sorte” começaram a pressionar para obter seu acesso no ensino superior. Ou seja, o Estado respondeu à mobilização de personagens sociais que atuam para além das dimensões escolares.
Essa ambigüidade da Educação brasileira que iniciou lá no período Colonial e sobreviveu até o final do séc. XX iniciou uma tentativa de mudança de enfoque da Educação Profissional quando surgiu a atual LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) que buscava agora não só a preparação do educando para o mercado de trabalho, mas também a formação do homem cidadão capaz de compreender a realidade social que o rodeia.
Esse novo enfoque para a Educação Profissional produzido pela atual LDB torna o educando não um mero executador de tarefas rotineiras e burocráticas, mas sim um conhecedor do processo produtivo e social o qual está inserido. Ele não vai apenas aprender a fazer, mas vai saber por que está fazendo dessa forma e não de outra.
Portanto, ao fazer o resgate da trajetória da Educação Profissional no Brasil não podemos deixar de mencionar a participação de atores sociais cujo campo de atuação se dá fora dos espaços formais de constituição das idéias dominantes. A participação desses personagens sejam eles sindicatos, associações comunitárias, ou movimentos sociais, acabam por influenciar direta ou indiretamente os meios oficiais e legais responsáveis pela condução e gerenciamento da Educação Profissional no Brasil.

O texto acima faz parte do 1° capítulo do meu artigo "UM ESTUDO ACERCA DA DISCIPLINA HISTÓRIA NO PROEJA-IFPA" produzido para a obtenção do título de Especialista em Educação Proeja.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

SUGESTÕES PARA PROFESSORES QUE TRABALHAM COM HISTÓRIA ANTIGA: ROMA





Esta minissérie fornece ao professor de História a possibilidade de trabalhar temáticas como militarização, política, sexualidade, e religiosidade na sociedade romana na transição da República para o Império. Esta milionária produção da HBO/BBC se divide em duas temporadas que nos proporciona informações valiosas a respeito do funcionamento da sociedade romana bem como nos permite conhecer as trajetórias de vida de personagens históricos conhecidos de nossas aulas e pesquisas como Júlio César, Pompeu, Marco Antônio, Brutus, Cleópatra, Otávio, dentre outros.
Enfim, ROMA além de ser uma bela opção de programa cultural também se torna um poderoso recurso didático nas aulas de História. Eu recomendo !!!

domingo, 15 de agosto de 2010

“COMUNIDADES DE PRÁTICA” E SUAS CONTRIBUIÇÕES NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA.


Dentre os vários conceitos pesquisados destaco aqui o de McDermott quando define comunidades de prática como “Agrupamento de pessoas que compartilham e aprendem uns com os outros por contato físico ou virtual, com um objetivo ou necessidade de resolver problemas, trocar experiências, desvelamentos, modelos padrões ou construídos, técnicas ou metodologias, tudo isso com previsão de considerar as melhores práticas”. (McDERMOTT, 2000). Quando McDermott desenvolve seu conceito ele faz referências a dois aspectos fundamentais para o sucesso da EAD: O primeiro é o fato de aprendermos uns com os outros quebrando com a estrutura tradicional do processo ensino-aprendizagem onde o professor é o dono absoluto do conhecimento e o aluno um mero receptor de informações. O outro aspecto diz respeito ao encontro virtual, meio pelo qual a EAD se desenvolve e se consolida cada vez mais como um processo educacional eficaz e de confiança para a sociedade brasileira.
Ao entrar em contato com o texto da autora Neli Maria Mengalli sobre Comunidades de Prática notamos que os diversos conceitos explorados no texto trazem em sua essência uma íntima relação com a realidade da Educação à Distância. Valores como a iniciativa própria, vontade de aprender, produção de conhecimento, socialização das produções, e auto-organização, se tornam uma constante no processo de ensino-aprendizagem dentro da Educação à Distância.
Segundo Etienne Wenger Comunidades de práticas são “comunidades que reunem pessoas unidas informalmente – com responsabilidades no processo – por interesses comuns no aprendizado e principalmente na aplicação prática do aprendido”. Se notarmos, a iniciativa de se reunir por interesse comum no aprendizado é uma ação necessária para que a Educação à Distância tenha êxito como processo educacional. Wenger ainda afirma que essas comunidades são constituídas por pessoas que aprendem, constroem e fazem a gestão do conhecimento.
Portanto, ao trabalharmos os diversos conceitos de Comunidades de Prática notamos que características fundamentais para que essas comunidades funcionem com sucesso também são fundamentais para que a EAD se consolide cada vez mais como uma alternativa concreta de Educação no cenário brasileiro.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

AOS FUTUROS PEDAGOGOS DA TURMA 10 EM MOJU

Durante o período de 19/07/2010 a 24/07/2010 ministramos a disciplina Fundamentos Teóricos e Metodológicos do Ensino de História para o curso de Pedagogia do IFPA no município de Moju. Foi uma semana de muita troca de conhecimento e de muita aprendizagem de ambas as partes (Docente e discentes). Aprendi muito com as diversas experiências de vida que tive contato durante este período e acredito que conseguimos modificar a visão tradicional que nossos “alunos/Professores” tinham da disciplina História no ambiente escolar.
Os filmes, as leituras de textos, os debates (na maioria das vezes “acalorados”), os seminários, as dinâmicas, foram meios utilizados para formarmos uma nova visão da História para os futuros pedagogos da turma 10. Mas, se por um lado orientamos, por outro lado, aprendemos muito: Aprendemos com os professores do multiseriado (Parabéns por superarem as dificuldades que é ensinar para alunos de séries diferentes no mesmo espaço de sala de aula); Aprendemos com a visita à exposição de arqueologia que fazia referência a comunidade Quilombola do município; Aprendemos com expressões no mínimo diferentes como, por exemplo, “fogo na bagaça” (belo momento de descontração da turma); Aprendemos com as experiências profissionais de todos vocês; Aprendemos com suas participações nos debates dos textos trabalhados.
Enfim, esta semana de julho foi um momento muito especial e construímos o processo de ensino-aprendizagem da forma que acreditamos ser a ideal: De forma coletiva e dialogada. Bem, era isso. Desejo aos futuros pedagogos da “turma 10” sucesso em suas trajetórias profissionais e lembrem-se: Não desistam dos sonhos de vocês, pois como na música de encerramento da disciplina “Tudo posso naquele que me fortalece”. FIQUEM COM DEUS!!!!

sábado, 17 de abril de 2010

COPA DO MUNDO EM 2014 NO BRASIL


Estamos a poucos dias da copa do mundo da África, entretanto, nós brasileiros, inevitavelmente, já pensamos em 2014 quando o evento será sediado no nosso país. Sabemos também que Belém não se apresentará como cidade sede, perdendo a vaga da região norte para Manaus. E de repente você pergunta para o autor desse blog: “Você como paraense ficou chateado por sua cidade ter ficado de fora desse grandioso evento esportivo”? No momento das escolhas das sedes não nego que fiquei um pouco decepcionado, mas o tempo passou e hoje refletindo melhor o sentimento mais adequado que sinto é de alívio. E explico porque: Olhando o noticiário dos jornais brasileiros, notamos o quanto o país é carente nos setores sociais primordiais na vida do cidadão. Saúde o povo não tem, quem freqüenta um hospital público sabe do que estou falando; A Educação é sucateada, basta olhar para nossas escolas públicas, sem a mínima estrutura básica, e para o salário medíocre do professor; Nossa classe política é caracterizada por um intenso grau de corrupção e pelo descaso com a vida da população.
Listados os argumentos acima, pergunto: Como posso concordar que o país gaste bilhões de reais em Estádios, Hóteis, centro de treinamentos, etc, se a maioria do nosso povo vive em situação de miséria? Não me venha com esse papo de que as obras construídas serão herdadas pela população e que as reformas urbanísticas elevarão a qualidade de vida dos brasileiros. Tudo papo furado. O Pan Americano do Rio de Janeiro prova isso. Alguém ai viu alguma melhora? Pelo contrário, vimos uma farra com o nosso dinheiro. Sim, nosso dinheiro, pois essas obras são erguidas com o dinheiro dos nossos impostos.
Portanto, fico feliz que o Pará fique às margens desse evento esportivo. Agora que tal cobrar dos nossos políticos (Governadora e Prefeito) que o dinheiro prometido para a estrutura da copa fosse empregado em novos hospitais, moradias, saneamento, escolas dignas, etc. Sim, pois se o dinheiro ia ser aplicado para receber a copa do mundo, agora que a copa não vem mais, poderia muito bem ser utilizado nos serviços de melhoria de qualidade de vida da população.

terça-feira, 6 de abril de 2010

REPÚBLICA E RELIGIÃO


No último dia 25/03/2010, quinta-feira, aconteceu em Belém, na Catedral Metropolitana, a Cerimônia de Posse Canônica e a missa do 10° arcebispo de Belém Dom Alberto Taveira Corrêa. Na solenidade estavam presentes várias autoridades do Estado: A Governadora do Estado do Pará Ana Júlia Carepa, o Presidente do Tribunal de Justiça do Estado Rômulo Nunes, o Presidente do Tribunal Regional Eleitoral João Maroja, dentre outros.
Agora deixemos um pouco de lado o fato mencionado acima e vamos rememorar de modo bem Positivista nossa Proclamação da República no dia 15 de Novembro de 1889. Já lembraram? Espero que sim, mas de qualquer forma vou ajudá-los. Quando nosso governo Republicano foi instaurado, uma das bandeiras principais do novo regime era a separação do Estado da Igreja. Isso acarretou mudanças importantes na sociedade brasileira dentre as quais destacamos: A secularização dos cemitérios, a laicização do ensino, o casamento civil, dentre outras. Mas o que isso tem haver com a posse da novo líder da Igreja Católica em Belém?
Meus amigos, quero chegar no seguinte ponto: Mesmo com as novas orientações e determinações que o nosso novo regime Republicano defendeu e defende, não é nada fácil retirar a influência de uma Instituição que durante séculos sempre apresentou uma intensa relação com o Brasil como é o caso da Igreja Católica. Segundo a República, o Estado é laico, mas às vezes tal discurso se perde nas ações do próprio Estado e, principalmente, na mentalidade da sociedade. Quem aqui nunca entrou em um órgão público e se deparou com a imagem de um santo católico? Na própria solenidade de posse do novo arcebispo de Belém vocês perceberam quantas autoridades presentes? Alguém aqui já viu tantas autoridades presentes na nomeação de novos líderes de outras religiões?
Esse sentimento arraigado no seio da população e do próprio Estado não se desconstrói do dia para a noite. Mas vivemos em tempos de Diversidades em vários aspectos sociais e a religião não escapa à regra. Se lá em 1889 já se defendia um Estado laico, hoje que vivemos intensamente o discurso do respeito à diferença, à tolerância, e à diversidade, mais do que nunca, é necessário que tal discurso ocorra na prática.

sexta-feira, 12 de março de 2010

O SERINGUEIRO COMO AGENTE SOCIAL

É muito comum, ao estudarmos a economia da borracha na Amazônia na virada do séc. XIX para o XX, analisarmos o seringueiro como sujeito passivo à todos os mecanismos de dominação e exploração por parte do seringalista (Proprietário do seringal), principalmente, por meio do tal sistema de aviamento. Entretanto, o seringueiro não foi esse sujeito oprimido nem tão pouco conformado com sua situação de exploração como a historiografia tradicional tenta retratá-lo. Na verdade, esses trabalhadores eram agentes sociais ativos na busca da melhoria de sua condição de vida, seja na tentativa de burlar as leis do seringal, como por exemplo, comercializando a borracha extraída com os regatões em vez de comercializá-la com o barracão do seringal, ou desenvolvendo redes de solidariedade que resultavam em momentos de compartilhamentos de sentimentos de alegria, tristeza, insatisfações, etc. Festas ocorriam nos seringais ou para homenagear algum Santo ou simplesmente para comemorar uma boa extração do látex. Momentos como estes exigem outros olhares sobre a imagem do seringueiro que vai muito além das relações de exploração e sofrimento vividos por eles no seringal.
Portanto, os seringueiros não podem ser vistos como massa de manobra, submetidos simplesmente aos interesses dos seringalistas, pois foram agentes ativos, reivindicadores de seus direitos, que burlaram as leis do seringal e buscaram melhores condições de vida.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA)

A Educação de Jovens e Adultos no Brasil teve seu marco histórico inicial no II Congresso Nacional de Educação de Adultos onde emergiu a figura de Paulo Freire defendendo uma Educação de Adultos que estimulasse a colaboração, a decisão, a participação e a responsabilidade social e política. Desde então, os pensamentos deste intelectual vêm influenciando intensamente a trajetória da EJA no Brasil. Mas o que é a EJA?
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional afirma: “A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”. Estes jovens e adultos que nos fala a LDB pertencem geralmente às classes sociais de baixo poder econômico com faixa etária adiantada em relação ao nível de ensino demandado. São operários, camponeses, ribeirinhos, artesãos, trabalhadores urbanos, que após o fim de uma longa jornada de trabalho retornam aos bancos das salas de aula em busca de conhecimento formal e de reconhecimento social.
Miguel Arroyo em seu texto "A Educação de Jovens e Adultos em tempos de exclusão" desenvolve uma importante discussão a respeito desse legado dos atores populares para a história oficial da EJA. Segundo Arroyo, a EJA corre o perigo de perder esse rico legado popular ao ser inserida no corpo legal ou ao ser tratada como modo de ser do ensino fundamental e do ensino médio. A EJA enquanto educação popular necessita para seus projetos e políticas a conservação desse reconhecimento de que as experiências e concepções desses jovens e adultos excluídos é que tornam o sentido da EJA ainda tão atual e necessário no cenário da educação brasileira. Isto se explica por um simples motivo: A EJA e suas concepções não perderam sua radicalidade porque a realidade vivida por seus jovens e adultos populares continua radicalmente excludente.
Portanto, a EJA representa para estes jovens e adultos a oportunidade de inserção no espaço de escolarização formal podendo, desta forma, buscar o reconhecimento social que durante muito tempo foi negado. Estes Jovens e Adultos que foram por tanto tempo segregados merecem ter seus direitos sociais resgatados e a EJA, nesse contexto, se torna um dos principais instrumentos para que tal resgate aconteça.