
Na virada do século XIX para o XX, a capital federal de então, Rio de Janeiro, vivia constantemente assolada por epidemias de doenças como tuberculose, a febre amarela, e a varíola , sendo que, a vacina obrigatória desta última acabou provocando um dos maiores conflitos entre a medicina oficial e a medicina popular da história de nosso país: A Revolta da Vacina, em 1904.
Entretanto, o objetivo deste post não é relatar a Revolta da Vacina,
mas sim compreender de que maneira as políticas públicas de combate a determinadas doenças podem se relacionar ao projeto de construção de uma sociedade.. Diante disto, e do contexto histórico aqui estudado, lanço a seguinte pergunta:
Por que as autoridades públicas da então capital federal Rio de Janeiro direcionaram seus esforços ao combate da febre amarela em detrimento de uma ação de combate à Tuberculose? Devemos relacionar as ações públicas de saúde à um projeto de sociedade muito defendido entre nossas autoridades na virada do XIX para o XX: A civilização e a modernização de nossa população. Para isto, era fundamental que nosso país passasse por um processo de embranquecimento para alcançar o padrão europeu de civilidade e evolução.
E qual relação essa ideologia de modernização da sociedade, predominante no final do séc. XIX para o XX, tem com as políticas públicas voltadas para área da saúde?Se pegarmos a historiografia que a borda esta temática veremos que, por exemplo, a febre amarela ganhou uma especial atenção de nossas autoridade públicas em detrimento do combate à tuberculose. Por que isto?
Uma das possibilidades de repostas está na relação que tais políticas possuem com o projeto de implantação de um modelo de sociedade.
Como a febre amarela atingia em maior quantidade imigrantes que chegavam ao país como italianos e alemães, tal doença precisava ser controlada, pois o Brasil precisava naquele momento do imigrante branco para concretizar o projeto de clareamento de seu povo para assim chegar à tão sonhada civilização. E a tuberculose? Por que não foi alvo de tanta preocupação? Ora, a tuberculose surgia em locais de aglomerações populares, característica de moradias como os cortiços, que também tinha como grande parte de seus moradores os grupos indesejados para compor a sociedade (pessoas pobres, sem emprego, e na sua maioria constituídos por negros).
De acordo com a ideologia de nossas autoridades públicas, que buscavam embranquecer a população a qualquer custo, a tuberculose, de certa maneira, até contribuía para o projeto de civilização que o Brasil tanto almejava uma vez que atingia, principalmente, grupos considerados indesejados para compor a sociedade brasileira. Portanto, este post buscou relacionar o projeto de sociedade às ações de políticas públicas voltadas para saúde na então capital federal Rio de Janeiro na virada do séc. XIX para o XX.