Este post tem como objetivo derrubar alguns mitos sobre o trabalho escravo negro no Brasil. Para isto, colocamos abaixo os três maiores equívocos sobre escravidão negra presentes nas aulas de História. Vamos a eles:
1 – NINGUÉM SE ACOSTUMA AO TRABALHO ESCRAVO: É muito comum esse papo de que os negros se acostumaram ao trabalho escravo, diferente do índio, que sempre se apresentou mais rebelde, daí a opção pela mão-de-obra negra. Ninguém se acostuma ao trabalho escravo. O negro nunca aceitou a escravidão. Suas lutas, suas revoltas, suas resistências provam isso. É uma pena que a maioria de nossos professores de História insistam em trabalhar escravidão negra através do olhar do dominante.
2 – O NEGRO NÃO VEIO AO BRASIL, MAS FOI TRAZIDO: Num primeiro momento, essa discussão de expressões (“veio”, “trazido”) parece meio sem sentido, neutra, mas acredite, ela é bastante significativa e nos revela uma dolorosa realidade do trabalho escravo negro no Brasil. Quem vai a algum lugar, vai porque tomou a decisão de ir, ou seja, foi uma ação realizada por opção própria. Agora, ser trazido gera a idéia de passividade. A ação que ocorre não é uma opção minha, mas sim é algo contra ou a despeito da minha vontade. Por isso, afirmar que o negro veio ao Brasil é escamotear uma violenta realidade do escravismo em nosso país. (Sobre o tema ver A ESCRAVIDÃO NO BRASIL, de Jaime Pinsky)
3 – A ESCRAVIDÃO NEGRA NO BRASIL NÃO ACABOU PELA BONDADE DE UMA PRINCESA OU POR PRESSÃO INGLESA EM BUSCA DE UM MERCADO CONSUMIDOR: É muito comum nas aulas de História da tia “Raimundinha” ouvir falar que o protagonismo do fim do trabalho escravo negro no Brasil ocorreu pela piedade de nossa princesa Isabel ou pela intensa pressão inglesa sedenta por nosso mercado consumidor uma vez que precisava escoar sua produção potencializada pela Revolução Industrial. Até parece que após o fim da escravidão, nossos negros, agora homens livres, saíram ricos, cheio de dinheiro para comprar produtos ingleses (rsrs). Por isso, não se engane, o responsável pelo esgotamento do trabalho escravo negro no Brasil foi o próprio negro. Sua força de vontade, sua resistência, sua revolta, e sua sede por liberdade foi que arrebentou a corrente do trabalho cativo no Brasil.